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Bellá Paes Leme

Isabel Betim Paes Leme foi uma reputada cenógrafa brasileira. No entanto, antes de se dedicar ao teatro, ela foi pintora, uma faceta menos conhecida de sua trajetória.

Bellá, como ficou conhecida, nasceu do encontro de duas famílias de elite. De um lado, seu pai, Luiz Betim Paes Leme (Barbacena, MG, 1881 – Rio de Janeiro, RJ, 1943), que era neto dos marqueses de São João Marcos, e, de outro, por parte da mãe, Isar Monteiro de Barros Latif, descendente de uma tradicional família mineira, os Monteiro de Barros. Isso lhe permitiu, desde cedo, uma socialização privilegiada. Não por acaso, figurou constantemente nas colunas sociais da imprensa.

Em 1931, foi uma das fundadoras e ilustradoras da revista Bazar, que se destacou na capital do país pela qualidade gráfica, com imagens produzidas por ela própria e Gilberto Trompowsky (diretor artístico), Paul Colin e Lula. A revista tinha, ainda, em seu corpo editorial figuras de prestígio como Alvaro Moreyra, Felipe D’Oliveira, Guilherme de Almeida, entre outros. Além disso, apresentou-se em diversos Salões, como, em 1933, no Salão da Pró-Arte, na seção de Pintura.

No entanto, é na década seguinte que se tornou mais conhecida como artista. Ela participou do Salão Nacional de 1940, na seção Desenho e Artes Gráficas, com a obra Águas-fortes, com a qual obteve a medalha de prata. No ano seguinte, integrou o Júri de Desenho e Artes Gráficas deste mesmo Salão, ao lado de Carlos Oswald, Perci Lau, entre outros. Em 1942, esteve novamente presente no evento, mas desta vez não como artista, e sim como objeto de uma pintura de Guignard (Retrato de Bellá Paes Leme).

Foi também nesse decênio que despontou no campo no qual se consagrou: o dos cenários e figurinos para teatro. Foi efetivamente no teatro que Bellá se consagrou. Ela realizou muitos trabalhos, tais como o cenário para Nossa querida Gilda, de Noel Coward, com direção de Dulcina de Moraes, em 1949. Em 1955, fez a cenografia para O baile dos ladrões, de Jean Anouilh, encenado pelo grupo O Tablado. Em 1956, ocupou- se dos cenários e figurinos para Electra no circo, de Hermilo Borba Filho. Em 1957, foi agraciada com a menção honrosa na 1a Bienal de Teatro de São Paulo, entre diversos outros. Bellá recebeu vários prêmios importantes, como, em 1958, o do Círculo Independente dos Críticos de Teatro e o Prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, pelos cenários para Antes da missa, de Machado de Assis,

A joia, de Artur Azevedo, levadas a cabo pelo Teatro Nacional de Comédia, e Chapéu de palha da Itália, de Labiche, com direção de Geraldo Queirós. Em 1959, recebeu a medalha de ouro na 2a Bienal de Teatro de São Paulo. Em 1960, foi novamente premiada pela ABCT, como melhor figurinista de ópera de teatro. Seu último trabalho foi em 1975, para A cantada infalível, na Maison de France. Em 1985, o Museu Nacional de Belas Artes lhe dedicou uma retrospectiva, expondo o conjunto de seus desenhos de figurinos e cenários para teatro, ao lado de algumas de suas telas.

Para os conhecedores da história do teatro no Brasil, Bellá há de ser, seguramente, um nome que circula; no entanto, como pintora paira ainda um grande desconhecimento sobre sua trajetória e suas obras.

Ana Paula Cavalcanti Simioni
Exposição Mulheres Artistas: nos salões e em toda parte
[Arte132 Galeria | de 04 de junho a 30 de julho de 2022]

Sem título | Óleo sobre madeira | 40 x 40 cm | [s.d].