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Helena e Riokai Ohashi

ENTRE BRASIL E JAPÃO, PARIS


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Madalena Hashimoto Cordaro e Michiko Okano – curadoras

Meus pensamentos e minha arte são minha fortaleza.

(HELENA, 1969, p. 61)

Guiados pela pintura, Helena e Riokai se conhecem na Académie de la Grande Chaumière em janeiro de 1929, quando ambos contam 34 anos de idade e históricos de vida bem contrastantes para a época: ela, filha de francesa com renomado pintor brasileiro; ele, japonês crescido em Formosa, então colônia nipônica. Atraídos pela prática de saídas in loco por bairros ermos da capital francesa a fim de pintar, Helena e Riokai vão aprofundando suas visões de mundo em meio a visitas a exposições de Cézanne, Gauguin, Picasso, Kisling, Lautrec, Utrillo e Bonnard.

Central em suas vidas, a arte lhes proverá posição e sustento após o casamento em 1933 e a decisão de morar no Japão. Apontam alguns pesquisadores o sacrifício de Helena em trabalhar como instrutora de piano, consultora e designer de moda ocidental, palestrante e importadora de bonecas e tecidos franceses, para que Riokai continuasse pintando sem preocupações. Entretanto, Helena ela mesma nunca abandona a pintura.

Ponto máximo de suas carreiras, a viagem como Embaixador Cultural ao Brasil e à Argentina em 1940 marca também alguns pintores brasileiros – em especial os de origem nipônica – que são então expostos a uma estética devedora da pintura yōga, em um amálgama territorial e cultural complexo. Compreende-se que, ao voltar do Japão em 1949, após 16 anos de ausência, Helena tenha tido dificuldades em se adequar ao meio artístico paulista. Foi, afinal, acolhida pela comunidade nipo-brasileira, que a fez sair de seu refúgio imaginativo em seus últimos anos, em Campinas.