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ARTE132

Nosso propósito é expor e manter em acervo artistas brasileiros reconhecidos.

Contudo, a arte de um país e de um período não é constituída apenas por alguns nomes definidos pelo mercado, mas por todos os artistas que desenvolveram um entendimento do mundo e do homem num momento. Temos particular interesse na produção menos conhecida dos mais reconhecidos pelo mercado, também na produção dos consagrados pela História da Arte Brasileira, mas demandando revisão hoje.

O papel como suporte, que pretendemos privilegiar, mas sem exclusividade, muitas vezes se presta justamente às realizações mais autorais dos artistas, menos sujeitas às limitações materiais de execução ou de sobrevivência econômica dos autores.

Pretendemos reincluir nomes no cenário das galerias e instituições, sempre com orientação curatorial e escolhas motivadas.

Colecionadores e não colecionadores são nossa meta. Queremos mostrar e oferecer arte de qualidade ao maior número de pessoas possível. Entre o grande colecionador com apoio curatorial e a jovem família, que quer ter arte relevante em sua parede, mas enfrenta restrições orçamentárias, há muito espaço para ser preenchido. Quem adquire uma obra de arte, mesmo que não seja um colecionador, torna sua vida mais rica de reflexão, pensamentos, ideias, sentimentos e emoções, e deixa um legado para os filhos, seja como herança material, seja como depoimento de sua personalidade e valores.

Ao longo do tempo, teremos discussões e cursos com especialistas, sobre Arte e outros temas, como História, Literatura, Música e interface entre humanidades e produção científica. Também teremos recitais de música, especialmente para piano ou canto.

Telmo Porto – Diretor


A CASA

O projeto de reforma desta casa (de 1972, autoria do arquiteto Fernando Malheiros de Miranda), para transformá-la em galeria de arte, trouxe alguns requisitos:  demandas técnicas pertinentes às atividades expositivas e ao acervo, expectativas de um lugar para encontros sociais e culturais, um piano de cauda, o conforto de serviços e cuidados e a ênfase de um jardim tropical.

Com técnica e sensibilidade, captamos as virtudes da edificação para o uso como galeria de arte: a cobertura de concreto armado pintada de branco com superfícies e geometrias variadas: abóbodas, lajes planas e um plano reverso; a iluminação natural nos vãos gerados pela acomodação do teto sobre as paredes moldado com raios, inclinações e orientações diferentes entre si; a perspectiva desimpedida conectando os jardins da frente e do fundo; e a possibilidade de desenvolver um percurso contínuo e legível.

A interpretação do teto como referência para posicionar os ambientes foi a chave do partido de projeto. Expor o concreto dessas estruturas no alto valorizou as formas resultantes abaixo delas. As intervenções foram destinadas a valorizar a fluidez dos percursos, o significado dos espaços gerados, as diferentes cenas de iluminação e a relação interior-exterior.

Por se tratar de uma reforma, preservar e reciclar materiais foram iniciativas bem-sucedidas, como as pedras Miracema nas áreas externas, o assoalho de pau-marfim recomposto, o concreto aparente restaurado e a parede de tijolos de barro preservada.

Ao final, a casa de quase 50 anos se faz presente na cena local com sua arquitetura original valorizada pelas formas e texturas dos materiais, pela iluminação e principalmente pela atração que o novo uso provoca. Sucesso à ARTE132!

Piratininga Arquitetos Associados